Como tratar as suas ideias no mundo do "extraordinário"?

Todos os dias, milhões de ideias passam pela cabeça. A maioria é apenas ruído inútil, mas, no meio delas, sempre tem uma que vale a pena dar atenção. Então, como distinguir qual das ideias vale a pena ouvir e quais devemos desconsiderar? Afinal, todas passam muito rápido, como se fossem um raio que risca o céu, numa noite escura de tempestade. Você nunca vai saber em qual das ideias vale a pena investir, a não ser que dê vida a alguma delas.  Pense. Quantas ideias geniais que você já deve ter tido e que nunca chegaram a ver a luz do dia? É muito provável que algumas delas eram viáveis e poderiam revolucionar a sua vida.

A única forma de saber se algo realmente vale a pena é por em prática. A melhor ideia do mundo que nunca tomou forma no mundo exterior, não tem valor nenhum. Mais vale uma ideia medíocre que pôde ser executada com sucesso e que trouxe algum proveito a alguém. A ideia genial nos confins da mente tem o mesmo valor que um tesouro que se encontra inalcançável no fundo do mar: nenhum.

As pessoas têm medo de pôr as suas ideias em prática porque têm medo de errar. Têm medo do fracasso e da vergonha. Em razão disso, preferem não fazer nada do que por em prática algo que não é perfeito. Então nunca farão nada, pois não existe ideia e nem situação perfeita, embora a internet tente nos convencer do contrário.

Atualmente, vivemos em uma superexposição a situações “perfeitas”, onde artistas de TV e Youtubers exibem suas mansões, carros e viagens à lugares exóticos. É tudo perfeito! Mas não precisa ir tão longe assim. Basta observar a vida das pessoas comuns próximas de você. Abra a sua rede social e veja como a vida de seus amigos é perfeita. Fotos tiradas na praia, na balada, nos churrascos, enquanto você está sentado na sua casa morrendo de tédio. Várias fotos daqueles pratos dignos de masterchef, enquanto você está aí comendo o seu arroz, feijão e ovo. Eles estão vivendo uma vida perfeita e você não. Será?

A internet criou um cenário ilusório, onde só há espaço para aquilo que é extraordinário. A velocidade da informação deixou as pessoas impacientes e ávidas por conteúdo que já vem pronto e embalado em um papel luminoso e colorido. Ninguém tem interesse por aquilo que é trivial e cotidiano. Ninguém mais quer discutir ideias, pois a disputa por views e likes é muito acirrada e a internet vive de coisas extraordinárias. Mas a própria realidade da vida não é assim tão extraordinária como mostram o Youtube as redes sociais. Pelo contrário, 99% da vida é feita de coisas ordinárias e cotidianas. Então, para atender à demanda, é preciso criar artificialmente o extraordinário, num cenário em que todo mundo é feliz, só vive em viagens, churrascos e baladas, onde o que chama a atenção é também aquilo que choca ou impressiona. Em outro nível, os produtores de conteúdo criam situações “extraordinárias” de maneira forçada, fazendo coisas idiotas para chamar a atenção, chegando a atravessar o limite do bom senso. Tudo isso cria um ideal de vida inatingível.

Nesse parâmetro, fica difícil por uma ideia em prática, pois todos estão condicionados a coisas extraordinárias e inatingíveis (ainda que ilusórias). Então tudo o que não se adequa a esse padrão é no mínimo ignorado, quando não ridicularizado.  O que fazer então para por as suas ideias em prática nesse mar do extraordinário? Eu desconfio que a resposta está em confiar nas suas ideias e em dar a elas uma chance no mundo real. Crie algo com base nas suas ideias, ainda que não seja algo extraordinário e vá aprimorando. Se não der certo, não tem problema. Passe para a próxima ideia. Valorize as ideias que você tem, o cotidiano que você vive e as situações em que você se encontra. Só assim você poderá ser original e honesto consigo mesmo e com os outros. Evite pautar-se pelo padrão externo ostentado na internet. Creio que assim estaremos dando mais uma chance para aquilo que, embora “ordinário” e comum, é  também verdadeiro.

Willian Doi

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