Estou seguro, logo estou ansioso
É fácil esquecer dos sonhos quando não se tem os resultados
no presente. Ficamos tão cansados de fazer as coisas “importantes” que esquecemos
de fazer o que é fundamental. Deixamos o mundo exterior moldar a nossa personalidade,
nosso desempenho e nossas características. Quando percebemos, todas as nossas
expressões estão passando por um filtro, para deixar tudo mais claro,
organizado e estéril. Todos os nossos atos passam a ser um produto da
sociedade, com selo de aprovação e tudo o mais. Então passa dia, passa mês e
passa ano e tudo está igual.
Depois de algum tempo, você acorda angustiado e não sabe o
porquê. Senta em frente a um computador qualquer e começa a digitar
freneticamente para ter tempo de organizar os próprios pensamentos, indagando o
que é que te incomoda. Com muito esforço, você percebe que você não está
fazendo aquilo que você deveria fazer e que o seu sonho não está sendo trabalhado.
Então você começa a se culpar e a se perguntar por que é que não começou a
trabalhar o seu sonho há alguns anos atrás, quando você tinha tempo? A resposta
vem fácil. Você começou, mas você não continuou. Você esqueceu daquilo que
realmente importa para você.
É fácil esquecer dos próprios sonhos quando se tem um
cotidiano, um relógio de parede, vários boletos chegando e vários conceitos não
trabalhados. É mais fácil ainda se esquecer dos sonhos quando se tem certa
segurança, um trabalho com uma renda decente, dinheiro o suficiente para
conseguir seus bens materiais, uma casa e um carro. A segurança te deixa
amortecido. Você não sente medo, mas também não sente emoção alguma. Se isso
fosse uma operação matemática, ela sempre resultaria em zero. O seu ganho e
suas perdas são equilibradas e o mês se fecha perfeitamente no zero. No próximo
mês, você ganha, gasta e termina no ZERO.
Isso me lembra da história do sapo na panela quente. Se você
jogar o sapo na panela com agua fervendo, imediatamente ele vai se assustar com
a temperatura e pulará para fora. No entanto, se você colocar o sapo na panela
com a água fria e começar a aquecê-la gradualmente, o sapo ficará na panela até
a água ferver e morrerá cozido.
A lição que tiramos disso é que aquilo que é “morno” não se
percebe. Se você estiver em uma situação de segurança “morna” tenderá a permanecer
assim até que a panela ferva. Quando perceber, será tarde demais. Agora, se você
for jogado em uma situação em que a água já está fervendo, provavelmente você
lutará com afinco para sair dela, assim como o sapo.
Essa história é apenas uma metáfora. Não tente ferver um sapo em casa. O ponto principal dela é fazer com que você acorde e repare se a situação ao seu redor está morna. À princípio, aquilo que é morno vai te fazer sentir seguro e confortável. Por isso é fácil se esquecer do calor da atividade de se buscar os sonhos. Por isso também é mais cômodo evitar os baldes de água fria que a vida lhe reserva. E é exatamente por isso que eu estou ansioso: eu estou me sentido seguro.
Essa história é apenas uma metáfora. Não tente ferver um sapo em casa. O ponto principal dela é fazer com que você acorde e repare se a situação ao seu redor está morna. À princípio, aquilo que é morno vai te fazer sentir seguro e confortável. Por isso é fácil se esquecer do calor da atividade de se buscar os sonhos. Por isso também é mais cômodo evitar os baldes de água fria que a vida lhe reserva. E é exatamente por isso que eu estou ansioso: eu estou me sentido seguro.
Willian Doi
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