Pensamento crítico


Eu sei que as coisas não são como deveriam ser. Mas nem por isso eu vou desanimar. Eu preciso continuar tentando. Os dias passam muito rapidamente e as coisas vão se repetindo. Se não pensarmos em termos críticos, todos os dias serão iguais. O que é necessário, então, é um pensamento crítico. Pensar, não basta. A maioria dos pensamentos são repetições de padrões aprendidos. O que é necessário é um pensamento profundo, um pensamento que vale a pena de verdade. Se você não critica a sua realidade, ela simplesmente se repete, todos os dias.

O que é um pensamento crítico? É aquele pensamento com base na razão, que analisa todo o status quo e informa as suas próximas ações. Se suas ações não forem embasadas por esse pensamento, serão simplesmente uma cópia de uma ação anterior e não terão embasamento qualquer. Faltará realidade em suas ações. Como criticar seus pensamentos e a situação em que você se encontra? Primeiro de tudo, parar e refletir sobre a situação. Indagar a si mesmo se a situação atual é a ideal. Se não for, por quê? O que falta, o que deveria ser diferente? A partir de então, começar a seguir esse pensamento e tentar imbuir os próximos pensamentos com essa ideia central. No próximo passo, passar a utilizar essa ideia central em seus atos e assim sucessivamente, até alcançar o ideal.

Esse processo é interminável. Pode ser que o ideal nunca chegue. Pode ser que nem mesmo exista. Pode ser que durante o seu curso tudo mude repentinamente, obrigando com que você altere o curso das coisas. Se isso acontecer, não tem problema e o melhor é mudar. Isso porque não existe rota fixa. Tudo é movimento. O que é hoje uma certeza, pode não ser amanhã. Devemos aprender a mover devagar, mas sempre em frente. O erro pode sim ser uma opção e é muito provável que venha a existir em algum momento da jornada. Não é possível viver uma vida sem erros. Uma vida sem erros seria um erro muito maior.

O que acaba com a vida não é a dúvida, mas sim a certeza. As dúvidas sempre estarão por aí, mas a certeza na verdade não existe. O que se tem é uma impressão de certeza, uma sensação que vai te dar uma certa segurança. A busca dessa certeza cria uma obsessão e um peso que se carrega no dia a dia. Precisar ter certeza para agir é o mesmo que não agir. Pois não há certeza alguma nessa vida. O amor à certeza cria indivíduos obcecados e solitários, que vivem de cuidados excessivos. Quando algo dá errado, esses indivíduos culpam os outros e a si mesmo e prometem agir com mais cuidado da próxima vez, com mais certeza. A obsessão fica ainda maior.

A vida precisa é de mais incertezas. Ela precisa ser um porto inseguro, algum lugar com mais surpresas e desprendimentos. Quanto menos obrigação e mais prazer, melhor. Quanto mais comprometimento com aquilo em que se acredita, melhor. Eu acredito que um mundo movido por obrigações pode ser substituído por um outro de sonhos. Por que escolher ser movido por uma obrigação que promete uma punição se não cumprida? Não seria melhor escolher mover-se por uma recompensa por seguir aquilo em que se acredita?

O que falta à humanidade é contato com o interior. Cada um de nós foi ensinado a seguir um protocolo padrão, uma determinação de como as coisas devem ser. Tudo aquilo que imposto do exterior, é um objeto estranho em nossas mentes e almas. Se seguimos cegamente essas diretrizes, caminharemos todos para um mesmo destino. Não podemos fazer isso. É preciso parar de vez em quando e perguntar a si mesmo se o caminho que estamos seguindo é o correto. É preciso reestabelecer o contato com o interior, comparando as obrigações impostas e as determinações auto- impostas. Nesse conflito, o que é o mais importante? É esse o pensamento crítico que deve embasar o nosso cotidiano.

Willian Doi.

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