Razão x emoção


Mais uma vez, eu comecei um projeto e estou falhando em leva-lo em frente. Por que é tão difícil ir até o fim com um projeto? Eu tinha estabelecido que toda semana eu escreveria um post neste blog, leria um livro e gravaria um vídeo no youtube. Essa semana eu já percebi que as coisas estão desandando, já que não terminei de ler um livro inteiro, não escrevi um post e ainda não gravei um vídeo. Engraçado como a minha rotina está tão mecânica que chega a parecer que não faço mais nada na minha vida além de trabalhar. À princípio eu achava que era uma questão de organização e que se eu tivesse um roteiro para seguir, conseguiria fazer qualquer coisa. Comecei até bem, atingindo as minhas metas semanalmente. Com o decorrer do tempo, é fácil esquecer daquilo que é importante, daquilo que prometi a mim mesmo. Essa semana eu não cumpri com todos os meus objetivos. Quando isso acontece, é fácil desanimar e deixar tudo para lá. Afinal, não consegui cumprir a promessa de fazer todas aquelas coisas TODA SEMANA DE 2018. Não, eu não vou desistir.

Percebo como caio na armadilha de arranjar um pretexto para me sabotar e não cumprir aquilo que estabeleci para mim mesmo, com a desculpa de que uma falha é uma falha e não pode ser remediada. Eu deixei de cumprir com a meta durante uma semana, e daí? O que me impede de continuar tentando apesar da minha falha? É muito mais fácil deixar o hábito subconsciente de me acomodar falar mais alto, esquecendo de tudo o que prometi para mim mesmo esse ano. Não, eu não vou fazer isso dessa vez. Estou atrasado com as coisas, mas eu vou compensar e ler mais livros e escrever mais textos e gravar mais vídeos, continuando assim aquilo que prometi a mim mesmo. Desistir nesse ponto seria aceitar que eu não tenho controle sobre mim mesmo, o que é algo que me assusta. Se eu não reconhecer as minhas falhas e direcionar os meus pensamentos e as minhas ações para o caminho que eu, racionalmente, acredito estar correto, o caos estará instalado em minha vida e eu nunca poderei completar nada de útil.

Parando para pensar um pouco sobre tudo isso, me vem à cabeça que essas minhas metas poderiam ser são fúteis. O que poderia acontecer de diferente pelo fato de eu escrever, gravar vídeos e ler livros toda semana? Será que eu não estou tentando fazer algo de excêntrico disfarçado de meta? Não estarei utilizando uma nova roupagem para a minha futilidade? Eu acredito que todos devem ter uma meta. No caminho em que me encontro agora, eu sinto que não tenho muitas saídas. Não tenho nada do que reclamar da minha vida, mas, ainda assim, eu acredito que devo mudar tudo. A estabilidade é uma ilusão e quase se confunde com estagnação. A vida é movimento, dinamismo e criação. É por isso que eu acredito naquilo que estou fazendo e não desisto. Eu tenho um propósito e tenho que o cumprir e com certeza são vários os obstáculos que vão surgindo no caminho.

O primeiro dos obstáculos é o tempo. O trabalho e os problemas do cotidiano tomam muito tempo e pouco me sobra para investir e realizar os meus sonhos. De segunda à sexta, estou engajado em meu trabalho, utilizando energia para a resolução de problemas. O final de semana passa voando e, quando menos espero, já é segunda feira. Depois já é o final de semana, que passa muito rápido. Nesse ritmo, não sobra tempo para realizar outros objetivos.

O segundo é levar tudo a ferro e fogo, como se eu tivesse de cumprir cada passo daquilo que eu planejei. É como se houvesse uma regra pela qual eu não poderia nunca errar e se eu errasse estaria tudo perdido.  Eu acredito que é uma forma de auto sabotagem, pela qual eu começo a relaxar, logo depois de começar. Então uma voz vem à minha cabeça, dizendo que o que eu estou fazendo é besteira e talvez eu não tivesse que ter começado nada disso desde o princípio. Se ouço essa voz, eu deixo de fazer muitas coisas. Essa voz também costuma criticar toda a minha conduta, dizendo que o texto que escrevo não é bom e que os vídeos que gravo são ridículos.  Esses são motivos muito fortes para que eu pare de fazer as coisas que planejei, mas eu sei lá no fundo que são apenas técnicas de sabotagem, então eu não ligo muito para isso e continuo fazendo minhas cosas. Eu continuo, apesar das vozes. Elas tentam me convencer de que eu deveria parar com isso, que tudo já fracassou.  Alguma parte do meu subconsciente está tentando fazer com que eu passe pela vida sem me arriscar, sem levar nenhum arranhão ou passar vergonha.

O que é preciso para continuar é ignorar essa voz e seguir em frente. Pensar que não se pode viver uma vida de forma verdadeira sem se arriscar. Eu preciso aprender que toda a voz subconsciente que tenta me defender pode ser dominada pela razão. Então eu devo direcionar os meus pensamentos e minhas atitudes, par ao caminho que eu quero seguir a partir de agora. Eu sei que eu já me esqueci desse caminho por várias vezes. É por isso que eu escrevo nesse blog. É uma forma de lembrar a mim mesmo sobre quem eu sou e o que estou fazendo. Isso faz com que eu fique mais conectado com as minhas ideias, embora signifique que eu tenha que me abrir para as minhas falhas e meus medos.  Eu acredito que estou aprendendo a fazer isso com muito mais naturalidade, afinal, ninguém é perfeito. Eu continuo aqui, neste blog, escrevendo e escrevendo. Um dia eu chego lá.

São vários outros obstáculos que eu imponho a mim mesmo. Devagar, com muita paciência, vou conhecendo cada um deles e vou eu mesmo vencendo cada um deles, aprendendo a superá-los de maneira racional. Eu descobri que não posso confiar naquilo que sinto, pois, se for assim, acabo me acomodando e evitando todo e qualquer desconforto de evoluir. Eu tenho que seguir com a razão e não com a emoção. Por isso escrevo este texto às 3 da manhã: Eu prometi a mim mesmo que o faria toda semana e devo ignorar a minha vontade de me acomodar. 

Willian Doi 

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