Os extremos da internet
O mundo
está estranho. As pessoas já não têm paciência e tudo é motivo para guerra. Percebe-se
isso ao se observar os comentários das redes sociais. Não há meio termo. As
pessoas são radicais em seus comentários sobre qualquer assunto. Se algo não lhes
agrada, é “lixo”, “desprezível”, “merda” e outros adjetivos piores. Não só
destroem o que não lhes agrada, mas também proferem ódio visceral contra as
pessoas que discordam de suas opiniões.
Esses
dias mesmo eu li um comentário de uma pessoa falando sobre o seriado da Netflix,
“La Casa de Papel”. Segundo o dono do comentário, o seriado é um “lixo”, “modinha”
e 20 outros adjetivos que não lembro mais. E para completar esse brilhante comentário,
o indivíduo ainda fez questão de deixar claro que ele nem terminou o primeiro
episódio e não conseguiu mais assistir. É sério isso? Ele viu um pedaço do primeiro
episódio e já conseguiu julgar toda a série? Quando alguém faz um comentário
com tamanha emoção sobre alguma coisa, espera-se ao menos que a pessoa conheça
algo daquilo que ela está falando. Como é possível que alguém consiga falar
sobre uma série, com tanto ódio, sendo que não assistiu nem um episódio
inteiro? Porque “ele” não gosta, então deve ser uma merda, mesmo que milhões de
outras pessoas tenham assistido e gostado.
Em
outra oportunidade, vi um comentário de um outro indivíduo em uma matéria sobre
o celular Galaxy S7, da Samsung. Ele dizia, igualmente, que o celular é um lixo
e que não funciona, que é uma merda, que depois de um tempo fica lento, trava e
que nunca mais compraria um celular da marca. Não satisfeito, ainda proferiu
seu ódio desmedido contra as pessoas que utilizam o aparelho, dizendo que são “tontos”
por comprarem dessa marca. E, novamente, o comentário desse rapaz deixava claro
que ele teve problemas com outro celular antigo da marca, que não era o Galaxy
S7 tratado na matéria. Por causa de UM aparelho que teve problema ele conseguiu
concluir que a marca Samsung não presta e que, portanto, o Galaxy S7 também é
uma merda e que, portanto, quem usa uma merda de aparelho desses só pode ser um
tonto. Esse cara deve ser um gênio da lógica. Eu tenho um Galaxy S7 e estou feliz com esse
aparelho. Será que sou um “tonto”? Talvez sim e talvez só aquele cara que não
gosta da marca é que seja o esperto. O mundo esta assim. “Se eu gosto de algo,
quem também gosta é uma boa pessoa. Se eu não gosto, quem gosta é uma pessoa
ruim.
A
internet trouxe uma revolução na vida das pessoas, em todos os sentidos, seja no
lado pessoal, de entretenimento ou trabalho, mas também trouxe à superfície
muita gente bizarra. Não se enganem, essa gente bizarra sempre existiu. O papel
da internet e das redes sociais foi apenas servir de veículo para trazer essas
opiniões à tona. Se antes esse tipo de comentário era suportado apenas por um o
outro indivíduo que tinha o azar de cruzar com um cara desses, hoje qualquer um
tem espaço para comentar em público e a internet é o lugar perfeito para
pessoas odiosas jogarem merda no ventilador.
O
que se pode fazer para se proteger de gente assim? Bom, em primeiro lugar, você
pode adotar uma postura crítica e de compreensão, no sentido de que todo mundo
tem a sua opinião. Se eu não gosto de alguma coisa, alguém gosta e deve ter as
suas razões para isso. Esse já é um bom passo, para você não entrar na
discussão e passar a criticar os gostos da outra pessoa (como no caso do Galaxy
S7, em que uma outra pessoa comentou logo abaixo daquele comentário que “bosta”
é o Iphone). Não discuta com um sujeito
assim. Guarde o tempo da sua vida para algo que vale a pena. Segundo, se esse
sujeito faz parte da sua rede social, bloqueie-o, ou ao menos pare de segui-lo.
Você não precisa de um sujeito tóxico desses em sua vida. Se esse sujeito for
parte da sua vida real e você não pode se afastar dele, ao menos não entre em
discussão e não estimule para que ele continue falando. Terceiro, evite ler
esses comentários. Quando vir que um comentário já começa com adjetivos absolutos
como “lixo”, por exemplo, você já sabe o que virá pela frente. Nem termine de
ler. Tenha a sua própria opinião, reflita e se for emiti-la, ao menos tente
considerar todos os aspectos. Diga sobre o que gostou e o que não gostou, sem
denegrir ou ofender outras pessoas. E se tudo for uma merda mesmo e você odeia aquilo
sobre o que ia comentar, guarde a sua opinião para você. O mundo já está
estranho o suficiente e já tem muita merda no ventilador. Você não precisa
contribuir com a sua.
Willian
Doi.
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